A tese de que o futebol moderno
acabou com os aspectos extracampo e as provocações entre os jogadores é provada
pela repetitividade demonstrada pelos atletas em entrevistas e a fuga dos
questionamentos de enfrentamento. Com o chamado “media training”, o treinamento
realizado desde a categoria de base sobre como se comportar ao dar uma
entrevista, os jogadores passaram a se comportar como robôs programados para
dizerem sempre a mesma coisa. Com exceção de um “que merda” aqui, um “só não vale” acolá, as entrevistas pós-jogos são hoje uma mera formalidade. E o
cenário é o mesmo fora do campo das entrevistas: os bad boys de hoje são assim
chamados porque bebem, namoram ou arrumam confusão. Tudo isso em silêncio,
demonstrando mais irresponsabilidade do que rebeldia. Isso acontece com todos.
Todos. Menos com Ibrahimovic.
domingo, 22 de maio de 2016
domingo, 10 de abril de 2016
Você é modinha!!!
Pra que time você torce? Palmeiras?
Corinthians? Flamengo? Guarani? E por que você torce para esse time? O mais
comum é torcer pelo time da família, do pai. A pessoa que apresenta o futebol
para você geralmente vai te influenciar a torcer por um time: se seu pai for
palmeirense você vai provavelmente torcer pelo Palmeiras. Mas os meios para
decidir por quem você torce podem ser outros também. Tem aqueles acabam se
identificando com as cores e a torcida de um time, com o momento de determinado
jogador, com o time da cidade ou simplesmente com a equipe que mais tem jogos
transmitidos na TV. No Brasil sempre foi assim, mas recentemente algumas
pessoas começaram a fugir destas situações. Muito graças à perda do interesse
dos pais (que ainda não aceitaram o fim dos anos 90) pela situação atual do
esporte, estamos vendo um interessante fenômeno de abandono do futebol nacional
pelos jovens que cada vez mais parecem se interessar pelo futebol internacional.
Tentaremos aqui elencar razões e consequências do nascimento dos odiados
torcedores ~MODINHA~.
segunda-feira, 4 de abril de 2016
Análise Tática: Palmeiras x Corinthians
Uma das propostas deste blog é
trazer para a discussão do futebol mais análises táticas onde possamos entender
melhor o que cada treinador está fazendo no jogo. A ideia nasceu graças a minha
irritação com os comentaristas brasileiros que se limitam ao “ele foi pra linha
de fundo, cruzou e o centroavante fez o gol”. O futebol deve ser analisado como
um jogo de movimentação, espaçamento e alternância tática. É por isso que hoje iniciamos
uma nova série de post aqui: Análise Tática. Tentarei fazer uma análise
profunda em partidas que eu ver pelo menos uma vez por mês. E para começar,
nada melhor que o clássico paulista que botou frente a frente dois dos melhores
treinadores brasileiros da história recente: Cuca x Tite. Palmeiras x
Corinthians.
domingo, 27 de março de 2016
O jogador mais importante da história
A
história tática do futebol é muito complexa, são muitas variações, reformas,
contrarreformas, sucessos e fracassos. Qualquer tentativa de sintetizar isso
estará fadada ao fracasso, mas podemos tentar: Rompimento com o Rugby e criação
da Football Association, Pirâmide, WM e o Metodo,
Wunderteam e Verrou, a Guerra, Mágicos Magiares, Catenaccio, Futebol Total,
Jogo Italiano e 4-4-2, Futebol Científico e o Tiki Taka. Todas as escolas
futebolísticas têm seus mestres, pupilos e líderes, fazendo que todas acabem se
relacionando entre si e criando toda uma lógica no processo do desenho tático,
criando líderes e influências em métodos diferentes. Lobanovskyi é fundamental
para a existência do 4-2-3-1 atual, assim como Vittorio Pozzo foi essencial
para a Grande Inter de Helenio Herrera. Ser um personagem do futebol que
consegue ser lembrado em várias épocas é sinal de que você foi além do papel do
craque, que você ajudou a construir o esporte e que o jogo não seria o mesmo
sem você. Lobanovskyi, Michels, Ancelotti, Sacchi, Pozzo e vários outros quase
chegaram ao topo do futebol mundial, só não chegaram lá porque o posto sempre
foi de Johan Cruyff.
quinta-feira, 24 de março de 2016
Quando bater quer dizer
O futebol e o esporte em geral
(especialmente os coletivos) sempre foram formadores de micro sociedades no
meio em que acontecem. Os jogadores perdem seus valores como pessoas normais e
passam a representar papéis necessários enquanto atletas. Há sempre uma ideia
de respeitos pelos mais velhos (jogadores experientes, rodados), tolerância com
os mais novos e regras comportamentais que, quando quebradas, são julgadas por
uma entidade específica. No campo não está apenas acontecendo uma partida de
futebol, mas sim todo o desenvolvimento dessa micro sociedade. Em outras
palavras, o jogo é uma fotografia de noventa minutos onde podemos ver as
interações, as normas de fato, as normas sociais e os efeitos nos indivíduos
que ali estão. No meio de tudo isso os atletas testam sua liberdade e tentam subir
nessa sociedade. Alguns preferem a paciência, jogar com calma e errar o mínimo
possível. Outros preferem acelerar, correr e obrigar os outros indivíduos a
olhar para você com mais atenção. Mas há ainda outro grupo, geralmente composto
por volantes e defensores, os jogadores que tentam obter poder pela intimidação
e pela violência. É sobre eles que falaremos hoje.
quarta-feira, 9 de março de 2016
A Segunda Vinda
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No final da temporada 83/84 europeia uma
notícia abalou o mundo do futebol: Diego Armando Maradona, um dos mais
importantes jogadores do mundo, estava indo para o pequeno, mas tradicional,
Napoli da Itália. Após uma passagem turbulenta pelo Barcelona o garoto
problemático da Argentina chegava numa equipe que pouco prometia para seu
futuro. Era o inicio do final da carreira daquele que fora uma das maiores
promessas do futebol mundial. Ou pelo menos era para ter sido assim. Foi em
Nápoles que Maradona fez o seu nome de fato: foram 259 jogos, 199 gols, dois
Campeonatos Italianos, uma Coppa Italia, e a histórica UEFA Cup de 1989. Foi
artilheiro, melhor jogador do mundo, transformou o Napoli numa potência
nacional e levou o nome da equipe para o mundo todo. Deu-se tão bem na equipe e
na cidade que conseguiu convencer os torcedores locais a torcerem pela seleção
argentina contra a seleção italiana na Copa de 1990. O estilo de vida rebelde
fez dele um par perfeito para um povo se sentia mais nação que cidade. A relação
do Napoli com o meia argentino era tão forte que, após sua saída devido os
problemas com drogas, ambos viveram um período de decadência. Em 2004 Maradona
quase morreu por causa da cocaína e o Napoli chegou a declarar falência. Com os
tratamentos Maradona voltou, o mesmo aconteceu com time, salvo pelo produtor Aurelio
De Laurentiis. Maradona chegou a treinar a Argentina na Copa de 2010, enquanto
o time napolitano voltou para a Champions League após subir todas as divisões
do futebol italiano. Mas ainda faltava muito para retornar as glórias, faltava
um Maradona, uma segunda vinda.
terça-feira, 1 de março de 2016
China, Darín e ganância
Quando a China chegou com os seus
milhões para contratar os jogadores brasileiros floresceram na internet e nas
conversas ordinárias várias discussões sobre quão válido é para uma pessoa
abandonar reconhecimento, condição de vida e carreira para ganhar muito mais
dinheiro. Uma comparação que geralmente é feita é a seguinte: Você trabalha
numa empresa muito boa, é um dos melhores funcionários e vive cercado por competentes
companheiros de serviço. Vive numa cidade boa, recebendo um salário que não te
traz preocupação nenhuma e te deixa livre para fazer algumas extravagâncias.
Mais importante que isso é o fato de você gostar de trabalhar lá, de se sentir
útil e completo estando lá. Tudo certo, até que um dia chega uma nova proposta.
A nova empresa cresceu recentemente, não é grande na área e pretende fazer de
você o símbolo dela. Você iria do status de “bom funcionário” para “mais
importante funcionário” da empresa, mas não porque melhorou seu nível de
serviços prestados e sim porque o nível de seus companheiros simplesmente
despencou. Além disso, você está em uma empresa que é muito visada, podendo no
futuro aparecer uma oferta boa de uma empresa maior do que aquela que você está
e MUITO maior do que aquela que você pode ir. Ou seja, você pode sair de um
mercado real e visível e ir para um mercado em potencial, que pode se tornar
real só depois que você sair de lá. Se você sair, adeus sucesso e
reconhecimento, olá ostracismo. Mas, claro, tudo isso em troca de muito, MUITO
dinheiro. Dinheiro suficiente para garantir o seu futuro, o futuro dos seus
filhos e de seus netos e bisnetos. Dinheiro que você nunca verá se ficar onde
está. Acredito que absoluta maioria das pessoas, colocadas nessa situação,
diria sim. Ao menos é isto que vemos ser dito por aí. Mas será que esta é
realmente a melhor opção?
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